
Edificar o poema de Deus
É construir a imagem de Deus para a apagar,
Apagá-la para conhecer Deus.
Tudo que vejo está nítido como um girassol.
- Dona Fernanda, então por aqui? Agora me lembro, ainda não lhe dei os parabéns pelo seu homem. Vi-o no concurso da televisão. Que honra! Muitos parabéns! Fiquei orgulhosa como se fosse meu!
Mesmo rompendo, em parte, a promessa que tinha feito de não voltar a abordar temas desportivos neste blog enquanto continuar o Mundial, achei que, por causa dos comentários de racismo primário que se continuam a ouvir e ler, desde o facebook até aos programas de comentário desportivo, devia escrever este post (que segue o mesmo espírito deste, em que falo do tema partindo da homilia de Bento XVI no Terreiro do Paço).
Pelo padre Manuel Morujão (reportagem, bem interessante, aqui; recolhe depoimentos do padre Tolentino e do padre Morujão; outra proposta é esta entrevista a Tolentino Mendonça, da TSF, também no site do SNPC): «Penso que Deus, ao encontrá-lo na eternidade, terá havido alguma surpresa: "Como o senhor tem a coragem de me dar um abraço se o critiquei tanto?", imagina o padre, referindo-se a quais seriam as palavras de Saramago. No suposto diálogo, na visão do padre, Deus responderá: "Você criticou outro, não o Deus do amor e da misericórdia."»
E a morte de um ateu deixa-me sem palavras... Não quero ser um crente vingativo, a dizer que agora é que o senhor vai passar "as passas do Algarve", mas não posso achar que ser ou não crente é indiferente, no momento da morte... Assim, guardo para este momento o que é mais certo que o homem encontre do outro lado. O silêncio.
De facto, enquanto apreciador e cantor de música litúrgica, sempre me interessou, pela forma como tratam as palavras (para isso sempre me chamou a atenção o padre Nuno Isidro...), o canto dos fadistas. Sendo jovem, sempre estive também atento às várias notícias que, cada vez que surge um novo fadista, saem à rua. E já foram vários os artistas que saíram com esse rótulo de "novo fado", desde Camané, Mariza, Raquel Tavares, Ana Moura, Carminho, Ricardo Ribeiro... Mas quanto a estes cantores, sempre me faltou qualquer coisa para ficar, de facto, um fã... Camané canta realmente muito bem, mas não faz em mim um click; Mariza é apreciada por toda a gente, e, como já disse a propósito de outras coisas, dificilmente gosto do que todos gostam; Raquel Tavares (que me desculpe...) sempre me chamou mais a atenção por ser uma mulher bonita (talvez seja das cinco cantoras portuguesas mais bonitas); Ana Moura (mil perdões!) é um nariz; Carminho é mais uma que cantando muito bem, tem um problema, é amiga de um amigo meu, e isso faz-me sempre desconfiar se não gostarei de a ouvir cantar por esse facciosismo; Ricardo Ribeiro, por razões fisionómicas (é gordo como eu, leia-se), é alguém com quem crio empatia, mas confesso que nunca fui um grande ouvinte da sua música...
Agora, o que me apetece é partilhar convosco a parte I do Tríptico de Herberto Helder, o poeta que me inspirou para dar nome a este blog...Há quem diga que o amor é um rapazinho,
E quem diga que ele é um pássaro;
Há quem diga que faz o mundo girar,
E quem diga que é um absurdo,
E quando perguntei ao meu vizinho,
Que tinha ar de quem sabia,
A sua mulher zangou-se mesmo muito,
E disse que isso não servia para nada.
Será parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num hotel de abstinência?
O seu odor faz lembrar o dos lamas,
Ou tem um cheiro agradável?
É áspero ao tacto como uma sebe espinhosa
Ou é fofo como um edredão de penas?
É cortante ou muito polido nos seus bordos?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
Os nossos livros de história fazem-lhe referências
Em curtas notas crípticas,
É um assunto de conversa muito vulgar
Nos transatlânticos;
Descobri que o assunto era mencionado
Em relatos de suicidas,
E até o vi escrevinhado
Nas costas dos guias ferroviários.
Uiva como um cão de Alsácia esfomeado,
Ou ribomba como uma banda militar?
Poderá alguém fazer uma imitação perfeita
Com um serrote ou um Steinway de concerto?
O seu canto é estrondoso nas festas?
Ou gosta apenas de música clássica?
Interrompe-se quando queremos estar sossegados?
Ah! diz-me a verdade acerca do amor.
Espreitei a casa de verão,
E não estava lá,
Tentei o Tamisa em Maidenhead
E o ar tonificante de Brighton,
Não sei o que cantava o melro,
Ou o que a tulipa dizia;
Mas não estava na capoeira,
Nem debaixo da cama.
Fará esgares extraordinários?
Enjoa sempre num baloiço?
Passa todo o seu tempo nas corridas?
Ou a tocar violino em pedaços de cordel?
Tem ideias próprias sobre o dinheiro?
Pensa ser o patriotismo suficiente?
As suas histórias são vulgares mas divertidas?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
Chega sem avisar no instante
Em que meto o dedo no nariz?
Virá bater-me à porta de manhã,
Ou pisar-me os pés no autocarro?
Virá como uma súbita mudança de tempo?
O seu acolhimento será rude ou delicado?
Virá alterar toda a minha vida?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.
Ontem, pela noite, passei pelo blog do M.A.T.A., e vi lá certos comentários, de gente favorável ao que designam por "tradição académica", que me levaram a escrever este post.
««Ide fazer discípulos de todas as nações, […] ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Estas palavras de Cristo ressuscitado revestem-se de um significado particular nesta cidade de Lisboa, donde partiram em grande número gerações e gerações de cristãos – bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, homens e mulheres, jovens e menos jovens –, obedecendo ao apelo do Senhor e armados simplesmente com esta certeza que lhes deixou: «Eu estou sempre convosco». Glorioso é o lugar conquistado por Portugal entre as nações pelo serviço prestado à dilatação da fé: nas cinco partes do mundo, há Igrejas locais que tiveram origem na missionação portuguesa. Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas, com sabedoria cristã, pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios, em aparente debilidade que é força. Hoje, participando na edificação da Comunidade Europeia, levai o contributo da vossa identidade cultural e religiosa»
Como se fosse um Rui Santos não desportivo, questiono sobre qual é o problema deste povinho que a propósito de tudo quanto meta Igreja tem de vir falar nos casos de pedofilia... Ou seria por quererem que os casos se julgassem nos tribunais (o que acho menos provável face à segunda hipótese) ou porque querem um julgamento em praça pública, feito pelos media... O que tem, de facto, vários defeitos. Um deles é que a globalidade dos jornalistas (e que me perdoem os bons profissionais do ramo, que os há) nem na sua profissão são bons (basta ver a falta de domínio da língua portuguesa, para nem sequer falar das línguas estrangeiras necessárias aos enviados especiais ou aos entrevistadores de pessoas que não falam a nossa língua, ou o desinteresse total pelo vocabulário específico de cada área (da economia à religião, passando pela aeronáutica ou o desporto)), quanto mais na de investigadores, juízes e advogados. Depois, a sua imparcialidade está quase sempre corrompida (na globalidade dos assuntos, há muito que não há um jornalismo imparcial...)...
Depois de muitas das conversas proporcionadas no passeio de ontem à tarde noite pela zona de Santa Cruz e Torres Vedras, com direito a jantar de alheira, apeteceu-me pôr aqui um post sobre os meus amigos... De facto, quando ontem conversava com o Tiago sobre a reacção de algumas pessoas, no círculo faculdade-seminário, à nossa presença, dada a nossa situação de ex-seminaristas, acabei por perceber a verdadeira utilidade dos amigos, que é, e digo-o o mais sinceramente possível, NENHUMA!
Ou porque a maioria das declarações da chamada vox populi (que se é voz de Deus também, quando este - o populi - é burro, não chega ao céu) acerca dos brasileiros naturalizados me cheiram a conversas eivadas de um racismo e fascismo primários... Por isso sugiro a todos que vejam este vídeo, que não tem nada a ver com o tema, mas fala em racismo e em bola e é muito, muito engraçado. Dedico-o ao meu amigo Ruben Viegas, por razões óbvias!
Já noutros dias de "coisas" me insurgi contra o facto de estes existirem... Hoje, dia da criança, faço o meu manifesto final contra todos estes dias de... "coisas"/pessoas... Se num primeiro momento muitos destes dias (sublinho sobretudo o dia da mulher) serviam, de facto, para nos alertar para o facto de haver ainda na nossa sociedade diferença de direitos - e deveres, senhores, e deveres... - com base no sexo - ou género, como modernamente se diz -, agora já nem sequer há essa utilidade. Se ainda me lembro de estudar a Declaração dos Direitos da Criança no dia a ela devido, também me lembro de como este dia se tornou apenas num momento para passear os panamás e para mostrar como as professoras organizam muito bem os seus alunos em filas "dois a dois, de mão dada".