So, come on and call me superficial,
like the sun does to the sea:
I’m here for the wine and some other time,
I’ll solve the world’s greatest mysteries.
Ao ler hoje a notícia de que o nosso primeiro-ministro-diplomado-ao-domingo decidiu aumentar novamente os impostos, lembrei-me logo da manifestação por que passei à tarde e que ilustra este post (coitados dos sindicalistas, mal sabiam que logo na mesma noite lhes iam mexer ainda mais nos bolsos...). Lembrei-me dela porque de facto o momento actual precisa de pessoas na rua, de uma revolta popular, pacífica e sem violência, mas em que mostremos, de facto, o nosso descontentamento com o estado actual das coisas. É precisamente porque o "povo" [seja lá o que isso, em abstracto, for... Chame-se-lhe, como o meu vizinho Rafael Bordalo Pinheiro, Zé Povinho] se demite da sua presença activa na polis, nas mais diversas dimensões, desde a política em si como à religião, ao voluntariado, que estes senhores têm legitimidade para fazer o que bem entendem, continuando a andar de chauffeur e de carro topo de gama enquanto sobem o IVA em mais 2%, cortam nas pensões, cortam nos salários da função pública e o diabo a sete! Pior do que isso é que o "povo", o mesmo que se devia revoltar e ir para a rua em busca de tornar a Cidade dos Homens na Cidade de Deus, enquanto tiver fundos de desemprego e RSI's vai continuar a votar nos mesmos...
A grande vantagem de se ter professores geniais e preocupados com a carreira académica dos seus alunos, é que de propostas individuais vagas se chega a propostas concretas válidas e desafiantes. Do meu interesse pessoal em trabalhar a dimensão ética das Bem-Aventuranças passei para o interesse, não menos pessoal, em trabalhar a dimensão da auto-consciência paulina, em conjunto com os outros colegas de acompanhamento de dissertação, trabalhando depois, em concreto, a teologia da fraqueza. De facto, o Apóstolo diz aquilo que deveria ser a experiência de todo o cristão (notável é que aquilo que ele diz seja, de facto, a sua própria experiência de fé):Quando encostam
ou abrem
o portão
do pátio do Duarte
na minha rua sossegada
à tarde
é como se os músicos
afinassem os instrumentos
antes do concerto.
Adília Lopes, Caderno, & etc 2007.
Com o tempo de férias de verão a chegar ao fim, calhou-me querer ouvir o último álbum dos GNR, Retropolitana. E, meus amigos, acho que encontrei um bom barómetro para ver quem gosta de música. Excepto para o caso daqueles cavalheiros com quem partilho o dom da amizade e que só gostam de música erudita, abrindo apenas excepções para grupos com quem tenham afinidade sentimental. Quem gostar de música contemporânea e, em particular, de música portuguesa em português (sim, que para mim música portuguesa é a feita por portugueses, não vá eu um dia destes querer ter uma banda a cantar em grego clássico, em sânscrito ou numa língua inventada por mim e depois fique um apátrida) dificilmente não gostará deste ábum.